

Todos os actores cívicos, políticos, culturais e económicos devem participar e ter espaço. As matérias que são objecto do presente diálogo são de inclusão, para dizer que não há matérias que não tem assento neste diálogo nacional inclusivo.
Segundo Edson Macuácua, que falava à margem do encontro de auscultação à comunidade LGBTQIA+, na sede da LAMBDA (Associação moçambicana para Defesa das Minorias Sexuais), a 28 de Outubro, “não há espaço para preconceitos no diálogo nacional inclusivo. Nossa responsabilidade é dialogar e integrar todos os assuntos e aspectos que marcam a vida quotidiana de Moçambique e, os assuntos de interesse da LAMBDA e da comunidade LGBTQIA+ são de interesse de Moçambique”, afiançou Macuácua.
Coadjuvado pela também deputada e membro da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo – COTE, Ivone Soares, Macuácua – alertou para as limitações da comissão que preside, informando que, a comissão não tem poder de decisão, ou seja, “não tem a última palavra”, mas, “prometemos que vamos levar as preocupações da comunidade LGBTQIA+ para o nível cimeiro, onde podem ser integradas na agenda nacional, isto, tendo em vista uma sociedade mais justa, inclusiva, onde se vivem em paz efectiva e numa convivência social harmoniosa”.
O encontro que reuniu para além do corpo executivo da LAMBDA liderado pelo seu Director Executivo – Roberto Paulo, incluiu também os representantes das diferentes organizações LGBTQIA+ nacionais, dentre elas a TRANSFormar, Kutchundja, Maningue Diversidade, Inclusão, e serviu para apresentação à comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo os principais avanços que o país conheceu nestas matérias, mas também, as principais inquietações que a comunidade LGBTQIA+ ainda enfrenta, onde entre várias, pontifica, por exemplo, o registo da LAMBDA, cujo pedido já se encontra pendente há mais de 15 anos, mas igualmente questões como o posicionamento ambíguo do Ministério da Educação e Cultura relativamente às matérias da orientação sexual e identidade de género no Sistema Nacional de Educação, não obstante, os compromissos de que o País é signatário, com vista à promoção de uma educação inclusiva, o que passa necessariamente pela abordagem da Educação Sexual Abrangente, mas também, a discriminação e exclusão no acesso aos diferentes tipos de oportunidades, incluindo no campo do trabalho, agravando a situação de vulnerabilidade da comunidade LGBTQIA+.
Na sua alocução, Macuácua reconheceu as preocupações apresentadas pela comunidade LGBTQIA+, apontando que, a resolução de muitas destas preocupações pode passar pela revisão do quadro legal, mas mais do que isso, há a questão das atitudes, dos comportamentos que motivam a discriminação as quais devemos todos discutir com maior profundidade, de forma a alargar a compreensão de que a discriminação e a exclusão devem ser combatidos por todos de forma que, em Moçambique, nenhum grupo social se sinta excluído de participar e gozar os seus direitos.
Por sua vez, o Director Executivo da LAMBDA saudou a importância da auscultação para a comunidade LGBTQIA+, destacando o significado que a mesma representa, na medida em que sinaliza o caminho da inclusão e respeito pelos direitos humanos que todos almejam e renovou o compromisso de a Lambda continuar a trabalhar para que a inclusão da comunidade LGBTQIA+ seja efectiva e que a orientação sexual e identidade de género não sejam razões para exclusão em Moçambique. No fim, a comitiva liderada por Edson Macuácua recordou que a LAMBDA e a comunidade LGBTQIA+ deverão participar do simpósio sobre os Direitos Humanos a ter lugar em data ainda por anunciar, um espaço que deverão ser discutidos os desafios do país no campo dos direitos Humanos.